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Leite: bom ou mau?





Leite poderá aumentar risco de mortalidade e fracturas ósseas






As últimas décadas têm sido inundadas de campanhas e publicidade aos benefícios do leite, enquanto fonte preveligiada de cálcio. Se fecharmos os olhos e alguém disser a palavra "cálcio", rapidamente formaremos imagens mentais de produtos lácteos, assim como nos foi ensinado. É também comum sermos alvos de campanhas de sensibilização à osteoporose, onde se recomenda o consumo elevado de leite como forma de prevenção, muitas das vezes recorrendo-se a figuras públicas e com a chancela de Instituições de saúde pública. Como qualquer alegação de saúde que se faça, espera-se que seja bem fundamentada em evidência científica e que por isso, esta seja consistente a demonstrar que existe uma relação entre o consumo de leite e adiminuição de osteoporose e fraturas ósseas. O facto é que essa evidência não é consistente e que existem dados conflituantes, sem que se possa chegar a uma conclusão consensual.

Na realidade, alguns estudos sugerem mesmo que o consumo elevado de cálcio parece não estar associado a uma redução no risco de osteoporose. Por exemplo, um estudo de grandes dimensões realizado pela Harvardmostrou que aqueles que beberam um copo de leite ou menos por semana, não estavam em maior risco de fratura óssea do que aqueles que beberam 2 ou mais copos por semana.
Mais recentemente, outro estudo de grandes dimensões parece chegar a conclusões semelhantes em relação ao consumo de leite. De acordo com esse estudo, publicado noBritish Medical Journal, um consumo elevado de leite de vaca está associado a um risco superior de fraturas ósseas e morte. Para se chegar a estas conclusões, foram seguidas 61433 mulheres durante 20 anos e 45339 homens durante 11 anos.
Entre as mulheres, aquelas que consumiram 3 ou mais copos de leite por dia, tiveram um risco 60% superior de fratura da bacia e um risco 16% superior de qualquer tipo de fratura óssea. Além disso, por cada copo de leite consumido, o risco de morrer de qualquer causa aumentou 15%, de doença cardiovascular aumentou 15% e de cancroaumentou 7%. As mulheres que consumiram 3 ou mais copos de leite por dia, quando comparadas com menos do que um copo, viram o risco de morte aumentar 93%. Nos homens os números foram menos significativos, aumentando o risco de mortecerca de 10% com um consumo de 3 ou mais copos de leite por dia, quando comparado com menos do que 1 copo.

Os investigadores avançam para uma explicação para esta relação de risco entre o consumo de leite e a mortalidade atribuindo a um dos componentes do leite, a galactose, resultante da digestão da lactose. De acordo com o artigo, a exposição crónica à galactose-D poderá ser prejudicial à saúde e contribuir para umenvelhecimento precoce. Em modelo animal, mesmo uma dose baixa de galactose induz alterações semelhantes ao envelhecimento natural em animais, incluindo um encurtamento do tempo de vida causado pelos danos resultantes do stress oxidativo, inflamação crónica, neurodegeneração, diminuição da resposta imunológica e alterações na transcrição de genes.

Se for verdade que concentrações elevadas de lactose e por conseguinte de galactose contribuem para stress oxidativo e inflamação crónica, isso faria com que o seu consumo possa aumentar não só o risco de cancro e de doença cardiovascular, assim como contribuir para perda de massa óssea e sarcopenia. Os autores do estudo sugerem que precisamente pelo facto do consumo elevado de leite estar possivelmente associado a um aumento do stress oxidativo, isso poder contribuir para o risco demortalidade e fratura óssea, o que contraria as recomendações atuais para aprevenção de osteoporose.
Os mesmo autores sugerem também que o consumo de outros produtos lácteos, como oqueijo ou o iogurte poderá não ter os mesmos riscos, uma vez que têm valoresmuito baixos de lactose e galactose, esperando-se assim que não contribuam da mesma maneira para o stress oxidativo e inflamação crónica.
Embora seja verdade este último facto, também é verdade que o consumo de produtos lácteos (e de proteína animal) está associado a níveis elevados de IGF-1, uma hormona de crescimento associada ao risco de vários tipos de cancro. O leite e os produtos lácteos parecem ser os alimentos que mais aumentam os níveis desta hormona.
Existem outros incovenientes no consumo de laticínios:
·         Os laticínios podem ser ricos em gorduras saturadas assim como de retinol (vitamina A pré-formada). Este último, em níveis elevados, pode paradoxalmenteenfraquecer os ossos. Ao contrário dos beta-carotenos, presentes nos vegetais e frutos e que são convertidos em retinol no nosso organismo, consumir excesso de alimentos ricos emvitamina A, como o leite, poderá aumentar o risco de fratura óssea.
·         O leite, juntamente com os frutos e vegetais, é uma das principais fontes declorpirifos (pesticida), o que pode ser explicado pela aplicação desta substância nos produtos utilizados como alimento ao gado, a qual é proibida na produção de leite biológico. Os produtos lácteos são as principais fontes alimentares dedioxinas, contribuindo para o risco de várias doenças, nomeadamente o cancro.
·         Os metabolitos de estrogénio são fatores de risco para cancros como o da mama, ovário ou próstata. O consumo de leite contribui para o aumento destes metabolitos.
·         O consumo de produtos lácteos gordos após um diagnóstico de cancro da mama poderão aumentar as probabilidades de recidiva.
·         No estudo Health Professionals Follow-Up Study, os homens que consumiram 2 porções de leite por dia tiveram um risco 60% superior de cancro da próstata quando comparados com aqueles que não consumiram nenhuma.
·         Uma meta-análise de 11 estudos conclui que o consumo mais elevado de laticínios está relacionado a um risco 68% superior de cancro da próstata.
·         O estudo EPIC, envolvendo mais de 142000 homens mostrou um aumento de 22% no risco de cancro da próstata em homens que consumiam uma média de 27 g de proteína de produtos lácteos diariamente, quando comparados com aqueles que consumiam uma média de 10 g. Um copo de leite magro contém 8,4 g de proteína. Os investigadores estimam que cada 35 g de proteína de produtos lácteos consumidos diariamente pode aumentar o risco de cancro da próstata em32%. Tanto o cálcio como a proteína dos produtos lácteos poderão estar associados ao aumento de risco deste cancro.

Ingestão Diária Recomendada de cálcio.
Um dos principais motivos pelo qual o leite continua a ser promovido passa pelo facto de ser uma boa fonte de cálcio. De facto, o cálcio é um mineral fundamental para a nossa saúde. É o principal componente de ossos e dentes, mas além disso, desempenha funções muito importantes a nível celular, uma vez que se encontra unido a proteínas e vinculado a diferentes mecanismos de transporte. Algumas das suas funções:
·         Constituinte de ossos e dentes;
·         Necessário para manter o ritmo e as contrações do coração;
·         A contração dos músculos também necessita de cálcio;
·         Intervém na transmissão de impulsos nervoso;
·         Atua na comunicação intracelular.
No entanto, ao contrário do que muitos de nós possa julgar, não se trata da única nem sequer a melhor fonte de cálcio. Uma das Instituições que tem alertado para o facto de que o leite tem sido provavelmente consumido em exagero é a Harvard, que nos diz:
·         O cálcio é importante. Mas o leite não é a única fonte, nem sequer a melhor.
·         Não é claro que necessitemos de tanto cálcio como é recomendado, e tambémnão é claro que os produtos lácteos sejam a melhor fonte de cálcio para todos.
O cálcio pode ser obtido a partir de vegetais de folha verde, leguminosas, leites vegetais fortificados. As fontes vegetais de cálcio poderão oferecer algumas vantagens em relação aos laticínios:
·         Fibra;
·         Fitoquímicos;
·         Vitamina K (fundamental para a saúde óssea);
·         Diminuição no risco de cancro da próstata e do ovário;
·         Diminuição dos níveis de IGF-1;
·         Menos gorduras saturadas.

Embora alguns vegetais sejam uma boa fonte de cálcio, a presença de oxalatosinterferem com a sua absorção, pelo que se devem preferir aqueles que sejam ricos em cálcio e simultaneamente pobres em oxalatos. Algumas considerações:
·         Estudos mostram que a absorção de cálcio a partir de leites vegetais fortificados, couve pak-choi, couve frisada (kale), e folhas de mostarda é elevada;
·         Baseado nos níveis de oxalato, a absorção de cálcio a partir das nabiças, agrião e brócolos também deverá ser boa;
·         O cálcio presente na couve-galega deverá ser moderadamente bem absorvida;
·         Estudos mostram que o cálcio presente nos espinafres e no ruibarbo não é bem absorvido;
·         Da mesma forma, com base nos níveis de oxalato, o cálcio nas folhas de beterraba e nas acelgas não deverá ser bem absorvido.
·         Os suplementos de cálcio inibem a absorção de ferro caso sejam consumidos ao mesmo tempo;
·         Não devemos ultrapassar os 1400 mg de cálcio por dia.


Extraído do blog: Projecto Safira por Gabriel Mateus
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