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O conteúdo presente neste blog, não pretende de forma alguma substituir o tratamento médico. É meramente de consulta e informação. Se lhe surgir algum sintoma que considere relevante, consulte imediatamente o médico.
Caso tenha alguma dúvida, contacte-nos. Responderemos com a maior brevidade possível.

Reflexões sobre o envelhecimento


 




 REFLEXÕES
Sobre o envelhecimento



 por:José Carlos Almeida Nunes





Lembro-me de quando era muito jovem, na adolescência e até depois, de olhar os que então já considerava velhos, e que terão agora a minha “meia-idade” e de pensar para dentro: Eu não vou envelhecer, não me vai acontecer!
Julgo que este sentir será comum nos ainda muito jovens, nos quais de forma mais ou menos consciente, o sentimento de finito ainda não faz parte da ideação... Pelo contrário, à medida que vamos acrescentando anos à vida, isto é, à medida que vamos envelhecendo, vai crescendo em nós, de forma progressiva, esse “pano de fundo” cada vez mais consciente, mais permanente, dessa nossa vulnerabilidade, que resulta de sermos também seres finitos.
É algo que determina uma série de mecanismos adaptativos físicos e psico-sociais, tendentes a repararem o “Self”, agora submetido a grandes erosões resultantes de múltiplas vivências: Os lutos da vida, a reforma, a invalidez, a necessidade de reformar os objectos de prazer, os traumas narcísicos (entendendo aqui as agressões que a nossa auto-estima vai sofrendo ao longo da vida) e, também, o manter tanto quanto possível intactos os nossos projectos de continuidade.
Nesta reforma permanente de SI mesmo surgem, como já anteriormente propus, mecanismos de adaptação, alguns que poderemos considerar saudáveis e outros patológicos, resultantes do exagero, da bizarria, a afastarem-se do “normal”.
Ainda ontem mesmo (este ontem refere-se à véspera do começo destas minhas notas...) um doente de 78 anos, que acompanho de longa data, que é um homem alto, robusto, desenvolto no aspecto motor, com um bom trato, afável, equilibrado, viúvo, que exercera até há pouco um cargo de responsabilidade numa instituição de solidariedade nacional, me dizia, deitado na marquesa do meu gabinete, enquanto eu passava a mão direita pelo seu abdómen procurando alguma anomalia: Sr. Dr., espero chegar aos 80...!
Esta confidência fora-me feita num tom que misturava o orgulho com a esperança e era reveladora do regozijo por mais esses dois anos de vida (apesar de eu acreditar que, no seu íntimo, pairam muitos mais em expectativa...).
Já imaginaram um jovem de 18 anos de idade ter este sentimento em relação aos seus 20??
Julgo que a análise atenta deste expressar tão singelo quanto frequente deste meu doente permite ilustrar de forma simples mas, e até por isso, os considerandos que anteriormente teci sobre a consciência de finito e a sua relatividade ao avanço da idade.
Referi acima o “Self”, que é um termo Inglês cuja tradução para a nossa língua-mãe se pode fazer por “Próprio”, e que aglutina um conceito de entidade única e absolutamente pessoal, o núcleo central da personalidade, que congrega todas as dimensões do indivíduo, sejam cognitivas, afectivas, intelectuais, sociais ou outras.
É este “Próprio” ou “Self”, bastião ou reduto de cada um de nós, que nos posiciona de forma permanente, inconsciente, automática, em relação a tudo e a todos, que defendemos a todo o custo, para conseguirmos manter o sentido da vida, e a possibilidade de continuarmos...
Referi também que esta defesa do “Self” pressupõe mecanismos de adaptação uns saudáveis, outros patológicos.
Um rapaz, que morava no prédio ao lado, mudou-se e foi viver para a província. É esta a forma como, muito frequentemente, assistimos à referência que um idoso faz de outro, que conhece de longa data, e com quem priva desde a sua juventude...
No “meu tempo, as mulheres trabalhavam muito menos fora de casa – diz uma idosa de 80 anos, após um jantar em casa de amigos, e já instalada na sala de convívio, à conversa com outros. Como se o tempo actual não fosse também o seu, como se “o Seu Tempo” fosse apenas aquele em que as mulheres trabalhavam pouco fora de casa, ou seja, o tempo em que ela fora jovem...
Estes idosos aqui “construídos”, o que pretendem de forma inconsciente é manterem o seu elo de ligação a um período das suas vidas em que tinham juventude, força, capacidades intactas, ou de outra maneira, em que era forte e saudável o seu “Self”. É uma forma de projecção no passado, que protege, que de alguma forma, diria saudável, previne a fragmentação do “Próprio”.
Por outro lado, alguns outros, tão incapazes se tornam de manterem o contacto com a realidade, de acompanharem o evoluir da vida e dos acontecimentos em seu redor, que se fecham num mundo fantasioso, que lhes permite perpetuarem, ainda que de forma desadequada e bizarra, um período das suas vidas em que sentiam segurança, em que eram socialmente úteis.
Por estranho que pareça a um leigo, a ansiedade, a depressão, a fobia social, a hipocondria, são artimanhas de índole inconsciente, que evitam a ruptura do indivíduo e que evitam a fragmentação do “Self”.
Quando estes mecanismos de defesa são ultrapassados, perante a incapacidade de aceitarem a transitoriedade dos objectos, do “Self”, a morte voluntária acontece. Sabemos da taxa não negligenciável de suicídios nos idosos...
Outros, sós, pelo desaparecimento de familiares e amigos, recorrem a um animal doméstico, com quem privam, a quem projectam toda a sua afectividade, toda a sua intimidade, por outras palavras, o tal animal é colonizado, é “enchido” pelo idoso, que lhe reconhece alma, fidelidade, ...vida e esperança.
Recordo uma doente de oitenta e alguns anos, só na vida, que tinha num cão o último reduto da sua existência. A morte deste animal lançou-a num luto muito doloroso, de muito difícil resolução, do qual saiu dificilmente, com muita ansiedade e agitação.
Lembrei-me de Shakespeare, que esvaziou alguns dos seus personagens, tirou-lhes o “Self”, transformando-os em figuras de projecção, de identificação dos espectadores, como no seu Ricardo II, rei humano sim, mas sem estrutura pessoal e única, sem o “Próprio”. Eugène Ionesco traduziu esta forma de sentir: “Quando Ricardo II é preso na sua cela, só, não é apenas a ele que vejo, mas sim a todos os reis depostos, e não só a todos os reis, mas também os nossos próprios valores, aquilo em que acreditamos, está ali, só...
Quando Ricardo II morre, olho a morte de tudo o que mais venero, sou eu próprio, que morro com Ricardo II.”
Faz sentido que a morte do cão da minha idosa doente determinasse também quase a sua...




José Carlos Almeida Nunes
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Como falar da morte às crianças - parte II



 





 COMO FALAR DA MORTE ÀS CRIANÇAS
Parte II











Peparar uma criança para a perda de alguém deve fazer parte da vida de todos os dias e ajudará a criança a aceitá-la melhor como um processo natural. Flores que secam e morrem, um animal de estimação que adoece e morre podem providenciar uma oportunidade para falar à criança desta inevitabilidade.


É possível falar à criança das pessoas mais idosas que ela conhece, do seu processo de envelhecimento e morte. Podem encontrar-se alguns livros que facilitam este diálogo, que se forem lidos em conjunto permitirão abordar com a criança os sentimentos que desenvolve sobre o assunto.
Quando a morte acontece numa família, os pais e outros familiares por vezes não encontram palavras para explicar às crianças e ajudá-las deste modo a lidar com o acontecimento. Contudo, as crianças necessitam dos adultos para as ajudar a lidar com a morte. Então, como explicar a morte às crianças?
- Fale com palavras simples;
- Seja verdadeiro;
- Não hesite em usar palavras como “morto” e “morte”;
lEncoraje a criança nas suas perguntas: “O que é a morte?”. Pode responder-lhe: “Morte significa que o corpo parou de trabalhar e não consegue fazer nada do que fazia antes: não fala, não vê, não ouve, não pensa, não sofre, não sente nada”.
Dependerá das convicções religiosas de cada família, mas esta é uma altura importante para confrontar correctamente a criança com as suas bases existencialistas (da família ou da sua cultura). É no entanto FUNDAMENTAL QUE ESSAS CONVICÇÕES AJUDEM A RESOLVER O PROBLEMA E NÃO A COMPLICÁ-LO AINDA MAIS. Por exemplo, para os cristãos, uma das mais poderosas ajudas que pode ser dada neste âmbito a uma criança é tranquilizá-la informando-a do facto de que a pessoa morta está a”dormir” e que um dia irá acordar. Mostrar-lhe a naturalidade do “sono” e ajudá-la com uma das promessas da Bíblia – que aponta para Jesus como o autor da ressurreição quando Ele voltar – trará tranquilidade perante a condição mortal da humanidade. É altura para ler com a criança a história da vida de Jesus, e do seu encontro com a menina de doze anos morta na sequência de uma doença. Em torno do texto a criança pode construir a sua relação de modo integrado.
Este contacto com a criança deve ser feito preferencialmente sentando-a ao seu lado, tomando-a nos braços e explicando-lhe com palavras simples tais como: “Aconteceu uma coisa muito, muito triste. O papá adoeceu com uma doença grave que nem toda a gente tem e morreu. A culpa da morte não é dele, não é tua. Vamos sentir muito a falta dele porque gostávamos muito dele e ele amava-nos muito”. É necessário explicar-se à criança que a consequência do adoecer nem sempre é a morte. 

Devem as Crianças Assistir ao Funeral?
Muitos perguntam se as crianças devem assistir a um funeral. Deve ter-se em conta os sentimentos das crianças. Se não quiserem ir, não devemos forçá-las nem fazê-las sentirem-se culpadas por não quererem ir. Se quiserem ir, devemos apoiá-las, dar-lhes uma descrição detalhada, através de palavras simples, do que irá ter lugar e até do facto de haver um caixão que pode estar aberto ou fechado. Explique-lhe também que verá muitas pessoas a chorar porque estão tristes. Mais uma vez, responda às suas perguntas e assegure--lhe de que pode não assistir, se quiser. Mas se ela decidir ir, ajude-a, entre outras coisas, a compreender que existem algumas noções de higiene que devem ser respeitadas. Na cultura portuguesa o beijo ao morto constitui um dos hábitos mais insalubres que podem ter lugar. Assim se transmitem muitas doenças e se prejudica a saúde. Por isso ajude-a a construir uma relação mais saudável estando perto dela para evitar qualquer perda de controlo (como querer atirar-se para o morto ou mesmo para o buraco onde o caixão irá ser colocado). Motive-a a não dar beijos indiscriminadamente salvaguardando assim a transmissão microbiana provocada pelo acto, mesmo se praticado só por uma pessoa no funeral. 

Como Não Falar da Morte às Crianças
Não utilize certos termos quando falar com as crianças, pois pode confundi-las. As crianças tendem a perceber as coisas muito “à letra”:
- As crianças sentirão medo de dormir e da hora de deitar se lhes disser “está a dormir” e não compreenderem que depois “voltarão a acordar”, como aconteceu com a menina acima referida;
- As crianças sentirão a angústia da separação se lhes disserem “foi-se embora” ou “foi fazer uma longa viagem”;
- As crianças sentirão medo ou odiarão Deus se lhes disser: “Deus quis a avó perto d’Ele”. 

Como Ajudar a Criança a Lidar Com a Perda
As crianças nem sempre mostram que estão deprimidas. Como já referimos, sintomas como a alteração no seu comportamento habitual e nas suas interacções diárias são sinais de que a criança está triste. Há muitas maneiras de ajudar a criança em sofrimento. Citaremos apenas algumas:
- Desenvolva e mantenha um diálogo aberto com a criança;
- Encorage a criança a expressar os seus sentimentos;
- Assegure com convicção à criança que terá sempre alguém a cuidar dela e a amá-la;
- Recorra a aconselhamento psicológico se achar que a criança em sofrimento se encontra em risco.
Sérias consequências podem advir se se ignorar esta situação. As crianças que não tiverem na altura certa adultos que lhes transmitam convenientemente o que está a acontecer, que lhes dêem apoio para resolver o seu luto e a deixem exteriorizar os seus sentimentos, poderão vir a ser adolescentes e adultos com muitas dificuldades.
A família, os amigos, grupos religiosos, grupos de interajuda e aconselhamento psicológico poderão ser o suporte necessário para o desenvolvimento de futuros adultos mais estáveis emocional e psicologicamente. Por isso convidamo-lo a entrar nesta rede de pessoas adultas que decidiram “pegar uma criança com o coração para aliviar as suas tristezas”. Verá que vale a pena!
(…)
Pegar uma criança com o coração
para aliviar as suas tristezas.
docemente sem falar, sem vergonha,
pegar uma criança contra o coração
tomar uma criança nos braços.
Mas pela primeira vez
verter lágrimas sem abater a sua alegria
pegar uma criança contra si.
(…)
Pegar uma criança com amor
pegar uma criança tal como ela vem
e consolar as suas mágoas
viver a sua vida nos anos mais próximos.
Pegar na criança pela mão
observando-a até ao fim do caminho. 

Yves Duteil
(tradução livre)




 
Lília Tavares



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Como falar da morte às crianças - parte I

 



 COMO FALAR DA MORTE ÀS CRIANÇAS
Parte I











 Recentemente, quando me desloquei em férias à República Checa, visitei Terezin, um forte transformado em campo de concentração, a aproximadamente 60 Km de Praga. Este forte esteve activo durante a II Guerra Mundial. Ao entrar, todos os meus sentidos foram invadidos por sensações que ainda hoje guardo: cada um dos locais, a sua “utilidade”, o frio e a escuridão das celas... e o cheiro, um cheiro indelével dentro e fora das instalações, intactas, como se tivessem sido abandonadas na véspera. Ao visitar o campo, pensei nos milhares de prisioneiros, homens e mulheres, tratados e mortos desumanamente. A visita tornou-se numa espécie de peregrinação.
Ao sair, entrei numa pequena loja de recordações, e enquanto escolhia alguns livros, despertou-me a atenção uma antologia de poemas e desenhos realizados pelas crianças que viviam no ghetto. Até aí eu não tinha tido “espaço mental” para pensar nas crianças. Fiquei chocada, paralisada e atónita perante o sofrimento precoce e desnecessário das crianças, o medo, a proximidade e até a inevitabilidade da sua própria morte bem como a morte dos seus queridos. Como é que aquelas crianças viveram a sua morte? Que ideia fazem as crianças da morte? Como é que vivem o luto? Como encaram a morte dos pais? E a sua?
Este é um dos maiores desafios que a psicologia moderna enfrenta, e não poucas vezes psicólogos clínicos são deslocados para zonas de grandes acidentes e traumatismos para levar alguma ajuda às crianças afectadas; no dia-a-dia da sua actividade. Também são confrontados nos seus gabinetes, por crianças atingidas profundamente pela perda de um ente querido, animal de estimação, amigo ou colega da escola.
A interiorização
A reacção da criança à morte depende do que ela vivencia ou já vivenciou em termos de perda e se esta foi acidental, previsível ou resultado de um desastre inesperado. Se um amigo ou familiar foi morto ou muito magoado, ou se a escola ou a casa da criança foram seriamente danificadas, haverá grande probabilidade que a criança experiencie sérias dificuldades existenciais. Após um acidente traumático em que a criança viu ou continua a ver perder vidas, ela pode desenvolver a Desordem de Stress Pós-traumático cujos danos psicológicos resultam da vivência, do testemunho e da visualização de um evento traumatizante. Esta desordem psicológica raramente se revela logo após o trauma. Frequentemente os sintomas ocorrem alguns meses ou anos mais tarde e a criança poderá ver-se incapacitada de viver saudavelmente, caso não venha a beneficiar do correcto apoio. É por isso que importa estar alerta e aprender a compreender as reacções e comportamento das crianças, de modo a poder apoiá--las devidamente.
Este apoio nem sempre pode ser profissional e por isso importa reflectir sobre a ajuda que pais, familiares, professores e todos aqueles que lidam com maior proximidade com uma criança, podem trazer para a ajudar a lidar com este acontecimento.

Há algumas décadas atrás, nascer e morrer eram acontecimentos familiares vivenciados em casa. As crianças assistiam de perto às reacções de alegria, de perda, de luto dos adultos e integravam estes sentimentos que pareciam naturais, inevitáveis. Nascia-se e morria-se em casa.
Hoje as coisas mudaram: nasce-se e morre-se num hospital, quantas vezes de uma forma solitária, profissional e asséptica. Devíamos preocupar-nos com o que acontece às crianças quando vivenciam a experiência da perda e do luto. Uma das formas mais comuns que as crianças têm para desenvolver a sua capacidade de lidar com estas duas realidades é através da sua própria experiência quando perdem alguém que é significativo e próximo, um dos pais, um parente, um amigo.

Fases do Desenvolvimento da Compreensão da Perda
Para desenvolver uma atitude correcta de apoio perante a perda, é importante considerar a idade, personalidade e estádio de desenvolvimento da criança. Crianças com oito anos podem ter uma maturidade emocional de onze anos, e outra de oito anos poderá emocionalmente estar equiparada a uma de cinco anos. A maneira como se fala da morte a uma criança depende da sua capacidade para perceber factos relacionados com a situação. As crianças estão atentas às reacções dos adultos. A forma como estes reagem à informação da morte e da tragédia é significativa para elas.

A Idade e as Reacções
Antes dos 3 anos: Percebem que os adultos estão tristes, mas não têm uma compreensão do significado da morte.
Em idade pré-escolar: Podem negar a morte e vê--la como um acontecimento reversível. Interpretam a morte como uma separação, mas não como um corte definitivo.
Dos 5 aos 9 anos: Começam a compreender a realidade da morte. Começam a perceber que certas circunstâncias podem resultar em morte. No entanto, nesta altura, a morte é percepcionada como algo que acontece aos outros, não à própria criança nem à família.
Dos 9 aos 12 anos: Necessitam de saber com confiança que todas as pessoas pôem questões acerca da dor e da morte. Muitas vezes é difícil para todos compreender porque é que as coisas acontecem assim.
Adolescentes: Embora os adolescentes compreendam que todas as pessoas acabarão por morrer, estes estão a desenvolver a sua própria identidade e autonomia, podendo sentir-se ameaçados pela perda. Muitos adolescentes sentem que devem agir como adultos e escondem emoções e sentimentos, pois receiam perder o seu auto-controlo. Mas eles necessitam de encontrar um lugar seguro para partilhar a sua tristeza. Sentem-se nesta idade mais confortáveis junto dos seus companheiros de idade, dos seus pares e podem encontrar neles um grupo de apoio importante.
O ponto fulcral é a empatia, a capacidade para entrar no self (no interior, na identidade) da criança ou do adolescente e perceber os seus sentimentos, aceitando-os sem nunca criticar.

A criança e o processo de luto
As pessoas que têm o papel mais importante no processo da compreensão da perda e da morte nas crianças, são os seus pais. As crianças aprendem dos seus pais o que é a morte e como a ela reagir. Por isso, este é um assunto que os pais não deveriam delegar em outros para ajudar os seus filhos. A definição do luto é determinada pela forma como os pais lidam eles próprios com esta situação. Alguns pais pensam que a criança não percebe, ficam ansiosos quando os filhos lhes fazem perguntas. Isso pode levar a uma confusão imensa na mente das crianças e a concluir que os crescidos não gostam de falar da morte. Eis algumas das expressões ou comportamentos das crianças nesta situação, no quadro 1.

Expressões Patológicas no Processo de Luto
Alguns sinais de patologia no processo de luto podem conduzir os adultos no auxílio a prestar às crianças. As crianças que têm sérios problemas neste processo podem mostrar um ou vários destes sinais:
- Um período extenso de depressão no qual perde o interesse por actividades e acontecimentos da vida diária;
- Incapacidade de dormir, perda de apetite, medo prolongado de estar sozinho, voltar a urinar na cama, chuchar no dedo, apegar-se a um brinquedo ou peluche, etc.
- Agir como uma criança mais nova, demonstrando imaturidade por um longo período;
- Imitar excessivamente a pessoa que morreu;
- Repetir frases que reflictam a vontade de se juntar à pessoa perdida;
- Afastar-se dos amigos;
- Diminuição do rendimento escolar ou recusa em voltar para a escola;

Estes sinais de alerta indicam que é necessária ajuda especializada. A tendência seria recorrer a uma psicoterapia realizada por um terapeuta especialista em crianças – o que poderá ajudar a criança a aceitar a morte e auxiliará os que lhe são próximos a ajudar a criança durante o processo de luto. No entanto enfatizamos o papel que outros adultos poderão desempenhar nesta circunstância, se se prepararem convenientemente e forem motivados por uma empatia carinhosa.


Este artigo continua. Para ver clique aqui: http://pelaminhasaude.blogspot.pt/2012/11/como-falar-da-morte-as-cirancas-parte-ii.html


 
Lília Tavares


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Abóbora - amiga das artérias


 






ABÓBORA
Amiga das artérias 










Têm sido muitos e variados os usos que ao longo da história se têm dado a este vegetal. Jonas, o profeta bíblico, serviu-se de uma aboboreira para lhe fazer sombra na cabeça e deste modo se livrar de uma insolação. Os Romanos serviam-se da abóbora, misturada com mel, para ajudar a digerir as abundantes carnes que engoliam nos seus festins. Nalgumas regiões do Mediterrâneo, ainda se usam como vasilhas certos tipos de abóbora (cabaças) depois de secas, pelo seu feitio de garrafa.

No entanto, as toscas abóboras encerram um tesouro de propriedades medicinais, que poucos até aos nossos dias tinham sabido apreciar. A peculiar composição da sua polpa torna-a um dos melhores alimentos que se podem comer para cuidar da saúde das nossas artérias.
A abóbora é um dos alimentos mais pobres em lípidos (gordura) e em sódio (sal), dois inimigos declarados das artérias e do coração. O seu conteúdo em nutrientes é muito reduzido: 6% de hidratos de carbono, 1% de proteínas e praticamente nenhuma gordura. Em compensação, é notável pela sua riqueza em beta-caroteno (provitamina A) e em minerais como o potássio e o cálcio. Também é de notar o seu conteúdo em fibra solúvel, a que se deve o seu efeito saciante sobre o apetite.


Todas as variedades de abóbora apresentam as mesmas propriedades e as suas indicações são as seguintes:
- Hipertensão arterial: A abóbora é recomendável na alimentação dos hipertensos, não só pelo seu muito escasso teor de sódio, mas também pela grande porção de potássio que oferece.
- Afecções coronárias e arteriosclerose: Pelos seus níveis tão baixos de gordura e sódio, assim como pela sua abundância em beta-caroteno que protege a parede das artérias, a abóbora está indicada na dieta de todos aqueles que desejem cuidar das suas artérias. Os que sofram de angina de peito, ou os que tenham sofrido um enfarte, nunca deveriam deixar de comer abóbora pelo menos três vezes por semana.
- Afecções renais: Actua sobre os rins como um diurético suave, aumentando a produção de urina e favorecendo a eliminação de líquidos do organismo. O seu uso é conveniente em caso de afecções inflamatórias dos rins (nefrites e glomerulonefrites), edemas e, em geral, sempre que exista algum grau de insuficiência renal.
- Afecções do estômago: A polpa de abóbora é capaz de neutralizar o excesso de acidez no estômago e, além disso, exerce uma acção emoliente e protectora sobre a mucosa do estômago. O puré de abóbora com leite ou com bebida de soja é particularmente indicada nos casos de má digestão, gastrite e úlcera duodenal.
- Prisão de ventre: Pela sua suave acção laxante, acompanhada de um efeito emoliente sobre o tubo digestivo, a abóbora é recomendada sempre que haja prisão de ventre, assim como mau funcionamento do intestino manifestado por um excesso de fermentação ou putrefacção.
- Afecções oculares: A riqueza da abóbora em beta-caroteno faz dela um alimento muito recomendável em casos de diminuição da acuidade visual ou de transtornos de visão, de origem retiniana. Esta substância, aliada ao potássio, evita a formação de cataratas no cristalino.
- Prevenção do cancro: A abóbora contém três das substâncias vegetais de maior acção anticancerígena comprovada: beta-caroteno, vitamina C e fibra vegetal. Não é fácil encontrar num mesmo alimento estes três factores de grande eficácia preventiva contra o cancro.



 
Jorge Pamplona Roger


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