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Dedaleira





DEDALEIRA
Medicamento ou veneno?
 




NOME EM LATIM: Digitalis purpurea L.
FAMÍLIA: Escrofulariáceas
OUTROS NOMES: Digital, abeloura, erva-dedal, caçapeiro, estoura-flores, dedalário, dedaleiro-verdadeiro, luvas-de-santa-maria.
REFERÊNCIAS HISTÓRICAS: A dedaleira é um exemplo típico de como uma mesma planta pode curar ou matar. No século XVII, na Inglaterra, deu-se pela primeira vez uma infusão de folhas de dedaleira a um doente que sofria de hidropisia de origem cardíaca (inchaço de todo o corpo por falha do coração). Poucos anos mais tarde, a dedaleira foi incluída na Farmacopeia de Edimburgo.
Desde então, fizeram-se muitas investigações bioquímicas e biológicas com esta planta, cujos princípios ativos ainda não puderam ser substituídos por nenhum produto químico.
Atualmente, os glicósidos da dedaleira são amplamente utilizados em medicina, e têm salvo a vida a milhares de doentes do coração.
Ao mesmo tempo, porém, a dedaleira é uma planta muito tóxica, e a infusão de apenas uma pequena parte de uma única folha (cerca de 10g) pode causar a morte de um adulto. É um problema de dosificação: a margem terapêutica é muito estreita, e a dose tóxica está muito próxima da curativa.
Devido a existirem grandes variações na concentração dos princípios ativos, segundo o lugar onde a planta se desenvolveu, a época da recolha, a rapidez da secagem das folhas, etc., a indústria farmacêutica recorreu ao isolamento desses princípios ativos quimicamente puros. Deste modo, é mais fácil doseá-los e aplicá-los corretamente. Em contrapartida,
a eficácia destes extratos é menor, pois prescinde-se de outras substâncias presentes na planta, e que completam a sua ação.
DESCRIÇÃO: Planta bienal que atinge até 1,5m de altura. As folhas são grandes, aveludadas e lanceoladas, e saem da parte inferior da planta. As flores têm a forma de dedo, de cor púrpura ou rosada, e crescem todas juntas no extremo do caule.
HABITAT: Comum em montanhas de terrenos siliciosos da Europa Ocidental. Naturalizada no continente americano.
Fitologia_81160690.jpgPROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Podemos distinguir dois tipos de substâncias na dedaleira:
Não glicósidas: digitoflavina (corante amarelo), cicloexanol, ácidos málico e succínico, tanino e uma diastase oxidante. Estas substâncias não têm uma ação direta sobre o coração, mas complementam e potenciam os efeitos dos glicósidos.
Glicósidos: São os responsáveis pelos efeitos cardiotónicos que a dedaleira tem sobre o músculo cardíaco. Os mais importantes são a digoxina e a digitalina. Possuem as seguintes propriedades:
– Aumentam a força das contrações do coração, melhorando o seu rendimento mecânico.
– Normalizam o ritmo cardíaco quando este é irregular ou demasiado rápido (taquicardia).
Por tudo isto, os glicósidos da dedaleira são um remédio insubstituível nos casos de insuficiência cardíaca (1,2) (incapacidade do coração para bombear o sangue de que o corpo necessita), que nos casos agudos se manifesta clinicamente como edema (encharcamento) pulmonar, ou como hidropisia (acumulação de líquido nas cavidades e nos tecidos do organismo). Além disso, normalizam o ritmo do coração e têm uma certa ação diurética, o que contribui para melhorar o funcionamento do aparelho circulatório.
PARTES UTILIZADAS: As folhas.
PREPARAÇÃO E EMPREGO:
USO INTERNO
1 Preparados farmacêuticos: A maneira mais segura e mais bem tolerada de aplicar a dedaleira é utilizar o seu extrato em forma de preparado farmacêutico. No entanto, a planta completa é mais eficiente, embora requeira mais precaução para se administrar a dose exata. Só farmacêuticos e médicos com experiência em fitoterapia podem tirar o máximo proveito desta poderosa planta que, corretamente aplicada, pode resolver grandes problemas cardíacos e, inclusivamente, salvar a vida.
2 Infusão: Faz-se com 1g de pó obtido por trituração das folhas secas, em 100ml de água quente, sem que chegue a ferver. Deixar repousar durante 15 minutos. Tomá-la ao longo do dia, às colheradas. Não ultrapassar esta dose. Não se deve tomar de forma continuada durante mais de 10 dias seguidos, pois os glicósidos acumulam-se no organismo; o habitual é tomá-la 5 dias seguidos e descansar dois.
USO EXTERNO
3 Compressas: Prepara-se uma infusão com 1 ou 2 folhas por litro de água, que se aplica sobre a zona da pele afetada, empapando compressas de algodão.
Excelente cicatrizante
Em uso externo, as folhas desta planta são um excelente cicatrizante de úlceras e chagas cutâneas, incluindo as varicosas (). Era esta a principal aplicação da dedaleira antes de serem descobertos os seus efeitos sobre o coração.
Dr. Jorge Pamplona Roger*

*Extraído do livro A Saúde pelas Plantas Medicinais, editado pela Publicadora SerVir, S.A.
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