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Cancro - o que todos precisam de saber


 




 CANCRO
O que todos precisam de saber











Mary Scott tem agora 59 anos. Há onze anos, teve o maior choque da sua vida. Enquanto tomava um duche, sentiu um pequeno caroço na mama. Foi ao seu médico, que a examinou – confirmando a existência do caroço – e a mandou fazer uma ecografia e uma biópsia.
Provou-se que o caroço era canceroso.
Mary submeteu-se a vários exames investigativos que culminaram com uma nodulectomia, uma biópsia ao nódulo sentinela axilar, e depois com um curto tratamento de radiação. Foi-lhe receitado Tamoxifen, que ela tomou durante cinco anos. Está agora livre de cancro há seis anos.
“Quando o médico me disse que eu tinha cancro, foi o dia mais assustador da minha vida”, recorda Mary. “Senti um arrepio de medo percorrer-me o corpo e uma fraqueza nos joelhos.”
“Apetecia-me gritar e, quando cheguei a casa, solucei: 'Porquê eu? Porquê eu?'”
Mary não tinha nenhum dos fatores que predispunham ao cancro e, na verdade, ela é a primeira da sua família (de que tenha conhecimento) que teve cancro. Como é que uma pessoa com um bom estilo de vida, saudável e feliz como Mary desenvolveu cancro? A resposta é que não temos todas as respostas.
A complexidade do cancro
Geneticamente, somos todos únicos. Isso significa que, embora partilhemos muitos traços genéticos comuns, nenhum de nós – com a exceção dos gémeos idênticos – é exatamente igual a outra pessoa.
O cancro começa no código genético, que está sediado no núcleo das células. O código genético de cada pessoa regula cada expressão das células do seu corpo. A cor dos cabelos e dos olhos, as feições faciais, e até o tamanho do corpo é regulado pela genética. Até a separação das células em diferentes tipos, tais como o sangue, o fígado, os rins ou as células ósseas, é o resultado de fatores genéticos serem ligados e desligados. O que é interessante é que esta regulação da expressão genética pode ser influenciada pelo ambiente, ou (embora pareça estranho) pela experiência de vida e ambiente dos nossos antepassados. Consequentemente, a diferença entre os fatores genéticos e ambientais tem sido um tanto apagada. Esta interação tem sido rotulada epigenética.
Embora não possamos influenciar a vida vivida pelos nossos pais, há muitos fatores conhecidos que influenciam o nosso risco de cancro. Como muitos fatores podem ter um impacto no bem-estar do núcleo e do código genético em cada uma das nossas células, as organizações de investigação, tais como o Instituto Americano para pesquisa do cancro, acreditam que os indivíduos podem prevenir até um terço dos potenciais cancros.

A vida de um cancro
O cancro começa no núcleo de uma célula, na porção que está a regular a divisão celular. Estima-se que vários genes, talvez até 10, tenham de ser deficientes ou defeituosos para que se desenvolva o cancro. Não só a divisão se torna rápida e irregular, mas também as qualidades da parede da célula que faz a adesividade se perde. Então, estas células cancerosas crescem excessivamente, sem propósito, e podem dividir-se e espalhar-se diretamente no tecido adjacente, migrando na corrente linfática, ou até entrando na corrente sanguínea e ser disseminadas para tecidos distantes. Essas colónias de células transplantadas chamam-se metástases, e podem ser difíceis de tratar.
 
Tratamento e prevenção
A prevenção é, está claro, desejável – embora nem sempre possível. É extremamente importante reconhecer a diferença entre a prevenção e o tratamento. Os dois não devem ser confundidos. Pois, tal como conduzir com cuidado pode prevenir ossos partidos, essa mesma estratégia preventiva não os irá realinhar e promover a cura. O estilo de vida tem mostrado reduzir o risco, mas não é eficaz para curar um cancro já estabelecido. É claro que é sensato ter um estilo de vida apropriado como coadjuvante de um tratamento provado, mas não como um substituto do mesmo.
As pessoas a quem foi diagnosticado um cancro podem ser como alguém que se está a afogar: agarram-se a qualquer esperança. Charlatães inescrupulosos surgem para coagir os pacientes que acabaram de ser diagnosticados com cancro. Os tratamentos seriamente investigados de qualquer fonte – se demonstraram ter algum benefício – são usados pelos oncologistas modernos. Por isso, os extratos de produtos naturais, químicos sintéticos e diferentes tipos de radiação têm todos sido usados, quando estudos cuidadosamente controlados demonstraram algum nível de eficácia. Muitos métodos sem valor têm sido promovidos por vendedores de 'banha-da-cobra', em detrimento dos pacientes – e para vantagem financeira dos promotores.

Detetado cedo
Embora a prevenção e o tratamento sejam duas áreas de abordagem contra o cancro, uma terceira modalidade também é empregue: detetar cedo, o que pode resultar num tratamento mais eficaz.
A taxa de morte por cancro cervical (do colo uterino) mostra ter caído drasticamente quando o rastreio para esse tipo de cancro está bem implementado na sociedade. Para outros métodos de rastreio, as provas podem não ser tão fortes, mas sugerem benefícios.
Aqui ficam algumas diretrizes para ajudar na deteção precoce:
Para os indivíduos de risco normal, a American College of Physicians recomenda rastreios colorrectais aos 50 anos, com uma sigmoidoscopia flexível a cada cinco anos, e uma colonoscopia a cada 10 anos.
A mamografia é recomendada pela American Cancer Society para mulheres com 40 anos ou mais, com intervalos de dois anos, ou mais frequentemente se for o indicado por mamografias anteriores.
Há, no momento, muitos debates sobre o aconselhamento do teste antígeno específico da próstata (PSA) para os homens com 50 anos ou mais. A ansiedade, o rastreio invasivo e os possíveis benefícios limitados tornam discutível o uso generalizado deste teste como método de rastreio. Contudo, cada caso requer uma consideração individual com um médico qualificado.
O exame médico anual e o rastreio dermatológico também são recomendados para uma deteção precoce do cancro, embora ainda estejam a ser investigados dados que os suportem.
Uma atenção pessoal aos sintomas e sinais que pareçam anormais, com uma imediata consulta médica, são da máxima importância.

Não é só Ciência
Em resumo, manter um peso equilibrado, exercício regular, uma alimentação à base de vegetais, evitar o tabaco e o álcool e prestar muita atenção aos nódulos, corrimentos e sangramentos anormais, podem ser práticas que prolongam a vida. Contudo, essas práticas preventivas não substituem as terapias provadas cientificamente, sempre que o cancro foi encontrado.
Além disso, há um fator na cura que é, muitas vezes, passado por alto. É o poder da fé e da esperança, dois agentes misteriosos, que permitem que as pessoas que as têm apresentem resultados superiores às que estão desanimadas e sem esperança. Deixe que o otimismo reine supremo, porque enquanto há vida, há esperança.
FATORES DE RISCO DE CANCRO
Inatividade A inatividade, um fator na obesidade, também está associada com níveis elevados de cancro. Há fortes evidências de que a atividade física regular está associada com menores riscos de cancro da mama e do cólon e tem ligações fortes com a diminuição dos riscos de cancro do endométrio, do pulmão e da próstata. Em geral, os homens fisicamente ativos têm riscos mais baixos de todas as causas de mortalidade do que os homens sedentários.
Obesidade Muitos tipos de cancro têm um claro relacionamento com a obesidade. O cancro do endométrio, do esófago, do pâncreas, dos rins, da mama e do cólon são encontrados com mais frequência em indivíduos obesos.
Tabaco O tabaco é responsável por 20 por cento do total de mortes anuais nos Estados Unidos da América, e, neste século, cerca de um bilião de pessoas morrerão devido aos seus efeitos. É difícil parar de fumar, mas não é impossível: de acordo com o American Institute of Cancer Research, cerca de 50 milhões de americanos libertaram-se desta dependência.
Excesso de exposição ao sol e à radiação Os raios solares provocam problemas na nossa pele, especialmente quando sofremos um escaldão. Os cancros de pele relacionam-se de uma forma linear com a nossa exposição ao sol; o melanoma, um perigoso cancro de pele, também aumenta com uma excessiva exposição ao sol.
Nalgumas partes do mundo, onde existem fugas de gás radioativo rádon, a radiação também pode ser um perigo. Nessas regiões, as caves podem ter níveis tóxicos de rádon, e pode ser necessário colocar extratores para eliminar este produto da desintegração do rádio.
Carcinogénicos Os alimentos, especialmente os produtos muito processados, podem conter agentes carcinogénicos. As carnes processadas, os enchidos e os fumados podem conter nitritos e nitratos, que têm sido relacionados com o cancro. As excessivas temperaturas necessárias para cozer as carnes, tal como acontece num churrasco, podem produzir aminas heterocíclicas, que também foi provado serem carcinogénicas.
Os alimentos vegetais também podem ser adulterados com aflatoxina B, que é um produto dos bolores que crescem nas leguminosas, cereais e oleaginosas deteriorados ou velhos. Uma segunda toxina, fumonisina B, pode ser encontrada no milho bolorento.
Sem sabor nem cheiro, estas toxinas são um problema mais grave nos países em vias de desenvolvimento do que na Europa ou nos Estados Unidos da América. Não obstante, os produtos frescos e naturais são sempre superiores; uma alimentação saudável, baseada em vegetais tem mostrado resultar em menos cancro.
O álcool também é um reconhecido carcinogéneo, com um provado relacionamento linear com o cancro da mama. Nenhum nível seguro de consumo de bebidas alcoólicas foi demonstrado para o cancro do cólon.
Fatores ambientais A industrialização teve, como resultado, a poluição do ar, da água e até do solo. A descoberta do plástico levou à libertação de bifenilos policlorados (PCB) para o ambiente. Embora sejam ilegais atualmente, os resíduos de PCB persistem. Infelizmente, os peixes (como o salmão, a cavala e o atum) cujo óleo pode parecer desejável, concentram essas toxinas nos seus tecidos gordos. Juntamente com o lixo industrial, outros produtos tais como o mercúrio, o cádmio e o metal pesado arsénico podem ser riscos de cancro.
Agentes infeciosos Vários tipos de infeções ou infestações têm sido ligados ao cancro. Por exemplo, a infeção com a bactéria helicobacter pylori tem sido relacionada com o cancro do estômago. Os vírus das hepatites B e C são casualmente ligados ao cancro primário do fígado. O vírus Epstein-Barr tem sido encontrado no linfoma de Burkitt e no cancro nasofaríngeo. Uma infestação parasítica com esquistossoma tem demonstrado aumentar o cancro dos intestinos, da bexiga e do fígado.
A ligação mais largamente reconhecida entre a infeção e o cancro talvez seja a do vírus do papiloma humano (HPV), que é sexualmente transmitido e é a principal causa de cancro cervical. De acordo com os Centers for Disease Control and Prevention, o aumento no cancro oral e anal também está relacionado com a transmissão do vírus. Os relacionamentos monógamos reduzem enormemente este risco.


Allan Handysides
Médico especialista em Obstetrícia, Ginecologia e Pediatria
Fred Hardinge
Orador, Escritor, Fundador e Diretor de www.PositiveChoices.com
Peter Landless
Diretor Executivo da International Commission for the Prevention of Alcoholism and Drug Dependency, Médico especialista em Medicina Interna e Cardiologia
Kathleen H. Liwidjaja-Kuntaraf
Médica hospitalar especializada em Prevenção
Stoy Proctor
Médico especialista em Nutrição e Cessação Tabágica



extraído da revista Saúde & Lar n.º 780
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