UVA
Um excelente medicalimento
A uva é, a seguir à laranja, a fruta mais cultivada
em todo o mundo. Mas, infelizmente, só uma pequena parte da uva
produzida é comida como fruta; a maior parte destina-se ao fabrico de
bebidas alcoólicas, especialmente vinho.
A uva constitui um componente essencial da dieta
mediterrânea, e até da sua cultura. Recentes descobertas científicas
atribuem a boa saúde cardíaca dos habitantes do Mediterrâneo
precisamente a algumas das substâncias presentes na uva.Há dois tipos de
nutrientes que se destacam na composição da uva: os açúcares e as
vitaminas do complexo B. Em contrapartida, a uva contém poucas proteínas
e gorduras. As proteínas, ainda que em pequena quantidade, contêm todos
os aminoácidos essenciais. Os minerais estão presentes numa quantidade
moderada. Os componentes da uva que merecem uma menção especial são os
seguintes:
Açúcares, numa proporção que oscila
entre 15% e 30%. Os dois açúcares mais abundantes na uva são a glicose e
a frutose. Do ponto de vista químico, trata-se de monossacáridos ou
açúcares simples, que têm a propriedade de passar directamente ao sangue
sem necessidade de ser digeridos. Nisto se diferenciam de outros tipos
de açúcares, como a sacarose (presente na cana-de-açúcar, na beterraba
ou na banana), ou como a lactose do leite, que precisam de ser
decompostos no intestino antes de poderem passar ao sangue.
Vitaminas: Com os seus 0,11 mg/100 g de
vitamina B6, a uva é uma das frutas frescas mais ricas nesta vitamina,
excedida apenas por frutas tropicais como o abacate, a banana, a anona, a
goiaba ou a manga. As vitaminas B1, B2 e B3 ou niacina também se
encontram presentes em quantidades superiores às da maioria das frutas
frescas.
Todas estas vitaminas desempenham, entre outras, a
função de metabolizar os açúcares, para que as células possam com mais
facilidade "queimá-los" quimicamente e aproveitar a sua energia. A uva
contém quantidades bastante significativas de provitamina A e de
vitaminas C e E.Minerais: O potássio, o cobre e o ferro são os minerais
mais abundantes na uva, se bem que esta contenha também cálcio, fósforo,
magnésio e cobre.Fibra: A uva contém cerca de 1% de fibra vegetal de
tipo solúvel (pectina), quantidade relativamente importante tratando-se
de uma fruta fresca.Substâncias não nutritivas: A uva contém numerosas
substâncias químicas, que não pertencem a nenhum dos clássicos grupos de
nutrientes, mas que exercem numerosas funções no organismo, muitas
delas ainda desconhecidas. Estas substâncias são também designadas como
elementos fitoquímicos:
– Ácidos orgânicos (tartárico, málico, cítrico e
outros): Estes ácidos produzem a alcalinização do sangue e da urina
facilitando a eliminação dos resíduos metabólicos, que na sua maior
parte são de tipo ácido, como por exemplo o ácido úrico.
– Flavonóides: Descobriu-se recentemente que actuam
como potentes antioxidantes, impedindo a oxidação do colesterol que
causa a arteriosclerose, e evitando a formação de trombos ou coágulos
nas artérias. A quercitina é o flavonóide mais importante da uva.
– Resveratrol: Trata-se de uma substância fenólica
presente na pele da uva, de acção antifúngica (impede o crescimento dos
fungos) e, sobretudo, oxidante. Detém a progressão da arteriosclerose.
Recentemente provou-se que é também um poderoso anticancerígeno.
– Antocianinas: São pigmentos vegetais que actuam
como potentes antioxidantes preventivos das afecções cardiovasculares.Em
essência pode-se dizer que a uva é um alimento que fornece energia às
nossas células e que favorece o bom estado das artérias, especialmente
das coronárias que irrigam o músculo cardíaco. Além do mais é laxante,
antitóxica, diurética, antianémica e antitumoral.
Jorge Pamplona Roger
Resumido do livro A Saúde pela Alimentação, a editar brevemente pela Publicadora Atlântico
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